terça-feira, 30 de novembro de 2010

DESISTÊNCIA

Foi quando eu percebi... quando percebi que em você não havia amor nenhum, quando notei que eu significava "coisas de mais" na sua vida. E bem... Amores não resistem a "coisas de mais". Então, eu tava falando que... Ah!... foi quando eu entendi e... sim, eu sei... eu levei semanas... anos pra entender... que você simplesmente não servia... foi aí que eu pensei: “eu vou embora”. E nessa hora foram mais samanas, anos, eu sei... mas você precisa entender que leva tempo. Então, de repente levantei... e fui embora tão rápido! ir embora é fácil, sabe? Difícil é levantar. Olha... você pode até achar bonito... e até pensar que eu sei das coisas... No fundo você tem razão. É um pouco bonito sim... e eu sei um pouco de coisas sim. Levei décadas pra entendê-las e depois... mais vários anos pra levantar... Eu sei que em semanas eu já estava longe... mas eu tinha deixado um vasinho com plantas pra trás... e elas certamente morreriam. Pq as plantas morrem perto de alguém que morre de medo. Foram séculos pra voltar.
Nunca fui amado no dia do meu aniversário. E nunca “não fui traído”. Sequer respeitado. Mas também... o que é “ser amado”, “ser traído”, o que é a porra do “dia do aniversário”? Meras convenções... uma tolice. Tolice como o amor que sinto. Essa é a palavra. Tolo. Sou tolo. Olha que estranho... “Tolo”, “tolo”. Fala! Olha que estranho de falar: “tolo tolo tolo tolo tolo tolo”. Pois é... dentro de mim... dentro de mim existe um jardim... é um jardim... um enorme jardim de instrumentos musicais. Desabrocham violinos... pode-se colher encordamentos em árvores, pandeiros ficam dependurados em paredões de pedra, como mariscos, flautas passeiam feito cobras, algumas venenosas... outras não. E enquanto tudo floresce... Vai soando uma canção que toma tudo. Há uma foz onde três quedas d’água cantam. É de chorar de tão bonito. O problema... é que as vezes uma enxurrada de esgoto denso invade cada centimetro do meu pomar de canções. O jardim começa a cheirar a podre, entende?Dá ânsia. Eu desde o início sabia o que ia acontecer. Algumas pessoas acham que eu sou exagerado. Que eu choro “a toa”. Vocês não sabem o que estou sentindo. Vocês não sabem a distância da minha percepção. Nem da minha dor. Não sentem nem o cheiro do jardim. “volto ao jardim com a certeza que devo chorar pois bem sei que não queres voltar para mim. Queixo-me as rosas... mas que bobagem as rosas não falam...” Maldito Cartola!
Olha só. Eu não sou nenhum Rimbaud... mas juro que o meu coração está numa longa temporada no inferno. Há veneno. Há guerra. Um guerra constante. Aqui dentro, meu bem, tá todo mundo se matando. Eu tô dançando há três semanas sem parar numa balada bagaceira(ator dança uma música muito ruim).

12 comentários:

Zoe de Camaris disse...

"E se você dormisse? E se você sonhasse? E se, em seu sonho, você fosse ao Paraíso e lá colhesse uma flor bela e estranha? E se, ao despertar, você tivesse a flor entre as mãos? Ah, e então?"

Coleridge

...pensamentos... disse...

...q bom seria se mais pessoas vissem a vida de uma maneira mais exagerada e linda como essa...teríamos um mundo mais verdadeiro...disso tenho certeza...

Nande disse...

Vc é o leo fressato autor de Oração, Boa Pessoa, etc?

Fernando Carlétti disse...

Também sou tolo... tolo tolo tolo tolo demais!

Damaris S. Domingues disse...

Tolos, todos nós somos e o que seria de nós se não fôssemos tolo. Sou tola, mas a minha sorte é essa.

Parabéns pelo blog!!!
Abraços.

Tortuositar disse...

Para Como o amor se tornou azul, ou talvez mais tarde. Tons de azul, variações brancas e pequenas cintilâncias. Imaginar que caberia na tarde do fim do outono a espera. Para a voz onde cabem pequenos ruídos e agudas. Mas os meus olhos não são verdes, são quase.
Inventar as ruas e a cadência, o gesto que cabe no pedacinho do sorriso que não foi dado para mim, mas me lembra uma vez quando ele me sorriu. Para as palavras que outros escreveram sobre não o corpo branco, mas numa certa transparência que queria opacidade.
Para pequenos gemidos da voz, para quem quisesse aprender não a voar, mas a cair.

Lelê disse...

Conheço bem essa dificuldade "em levantar". Até quero ir, mas não consigo levantar...

Mirella disse...

Escrevi no meu blog semana passada sobre ser tola... viva o inconsciente coletivo!

mlp.isa disse...

Menino! Que legal encontrar um trabalho como o seu! Ainda existe gente de coração puro e percepção aguda! Vc é lindo! Nunca perca essa bondade e simplicidade na escrita! Esse seu texto resumiu uma fase que estou passando há dias, meses, anos... Falta coragem pra levantar e ir embora... Quero ler mais textos seus.... Um poeta de marca maior, na essência......

Camelia disse...

Que engraçado! Me levantei a alguns dias, ainda não fui muito longe, sinto que era eu quem estava dentro do vasinho que não foi cultivado mesmo estando ao lado!
Adorei seu trabalho, seus versos, sua forma de expressar a vida!
Sucesso! Arrebenta! Fica com Deus!
Camélia Oliveira - Santos/SP

Luiza, uma mãe disse...

É Leo, nós e as nossas chuvas de sentimentos... aquelas que nos mantém vivos...

Emília Morais disse...

Nossa... reticências demais...